O que é um adufe?

Em Portugal, no séc. XXI, a palavra adufe é usada para definir o instrumento de percussão tradicional português, frame drum, bimembranofone, com forma quadrangular (ou triangular, variação muito rara), ornamentado nos cantos e com soalhas no seu interior, cuja identidade e singularidade emana da Tradição Oral das cantigas, das danças e do toque do adufe da região de Idanha-a-Nova e do Paúl (Covilhã). O mesmo instrumento pode também ser designado por pandeiro ou pindeiro em aldeias raianas como Malpica do Tejo ou Monforte da Beira, tratando-se apenas de uma questão de terminologia e não de um instrumento diferente.

A confusão da forma quadrangular

O adufe é recorrentemente confundido com outros instrumentos quadrangulares, tais como: o pandero cuadrado de Peñaparda (Espanha), o pandeiro mirandês (do Nordeste de Portugal) e com outros pandeiros de forma quadrangular da Península Ibérica (Astúrias, Galiza – onde também encontramos o termo adufe – e Catalunha).

Observando com atenção, apesar das semelhanças (forma quadrangular, serem feitos nos mesmos materiais e serem todos bimembranofones) são instrumentos distintos, com tradições, áreas geográficas, funções, técnicas, e linguagens diferentes.

O que estes instrumentos têm de facto em comum é serem da mesma família.

Penso que um bom princípio a adoptar seria usar os nomes que as pessoas do contexto tradicional atribuem aos seus instrumentos, consoante a região de onde provêm.

Normalmente, as pessoas exteriores ao contexto e por ignorância acabam por designar por igual o que não é de todo igual. Por exemplo, uma pandeireta galega, um riqq, um tamburello e um pandeiro de samba, são tudo pandeiros. Têm a mesma forma e são feitos dos mesmos materiais, mas não faz qualquer sentido dizer que são a mesma coisa. Há também um preconceito em relação aos instrumentos de percussão: são considerados instrumentos menores e portanto não merecedores uma designação correcta. Um adufe é um adufe, um pandeiro é um pandeiro.

A família dos frame drums

Se por um lado a Tradição do Adufe e o seu contexto o distinguem de todos os outros frame drums, por outro lado, as práticas a ele associadas – as cantigas, o toque do adufe e a adoração de uma figura feminina (Nossa Senhora) – mostram-nos a ligação evidente a uma família de instrumentos que podemos encontrar amiúde nas diversas culturas e povos do Mediterrâneo e resto do Mundo – os frame drums.

Da qual fazem parte, por exemplo: a pandeireta, o pandeiro mirandês, pandero de Peñaparda, tammorra, tamborello, duff, tar, bendir, daff, tof miriam, o tambor xamânico, o riqq, o bodhrán, entre muitos outros.

São instrumentos que se tocam com as mãos, dedos e/ou com uma baqueta, para acompanhar o canto e a dança, nos momentos da vida quotidiana, rituais e manifestações religiosas.

Ver a obra “When the drummers were women – a spiritual history of rhythm” de Layne Redmond. 

“os árabes trouxeram o adufe no séc.VIII” é apenas uma hipótese

As mais antigas representações de instrumentos quadrados que se conhecem datam de cerca de 2000 AC (Egipto Antigo e Mesopotâmia) depois temos de avançar quase 3000 anos até a primeira iconografia conhecida na Península Ibérica (séc. X).

Ora, 3000 anos é muito tempo. A existência de instrumentos quadrados nas zonas do actual Irão, Iraque, Egipto, Marrocos e na Península indicam-nos uma área geográfica muito extensa. 3000 anos e um território tão vasto são duas variáveis que multiplicam exponencialmente os acontecimentos históricos, povos, culturas, guerras, invasões, migrações, relações comerciais, etc… Que nos torna muito difícil estabelecer de onde vieram os instrumentos quadrados, antepassados do adufe, e qual a sua origem.

Em relação à origem do adufe, podemos concluir que não é um instrumento árabe, uma vez que os seus antepassados quandrangulares já aparecem representados nestes territórios muito antes da expansão islâmica.

Terão sido mesmo os árabes a trazê-lo durante as invasões a partir do séc. VIII?

Não é possível que já existissem frame drums quadrangulares bimembranofones na Península e que estes possam ter ganho uma nova designação a partir da presença islâmica?

A raíz da palavra e a origem do instrumento podem estar a ser confundidas. Não obstante o termo adufe ter origem na assimilação da expressão árabe al-duff (o tambor) na Península Ibérica, não é claro que tenham sido estes a introduzir o instrumento (ver a obra de Molina).

Em que assenta a tese de que os árabes trouxeram o adufe para a Península? Na associação das invasões islâmicas com a existência de instrumentos quadrangulares no Norte de África?

Os instrumentos quadrados aparecem no Egipto e Mesopotâmia cerca 2000 AC. Muito antes da presença árabe. Como só chegaram à Península a partir das invasões no séc. VIII sendo conhecidos historicamente os fluxos demográficos no Mediterrâneo e Próximo Oriente?

Quem são estes árabes? Berberes, persas, árabes, almorávidas, almóadas, omíadas? Porque é que sendo um instrumento árabe trazido para a península é tão referido nas três religiões abraâmicas e não só na islâmica?

O duff marroquino é bastante mais pequeno que o adufe português. Que adufe foi trazido pelos árabes e como evoluiu? Será que o adufe tem origem no duff marroquino? Como se passou de um instrumento masculino no Norte de África para um instrumento feminino na Península Ibérica? Onde se toca actualmente este instrumento quadrangular no Norte de África?

Porque é sendo o império árabe tão extenso, só encontramos frame drums quadrangulares actualmente na Península Ibérica e em Marrocos? Como instrumento árabe que se supõe como passou a ocupar os pórticos dos templos católicos?

(fonte Wikipedia)

Primeiras fontes ibéricas

Consultando os anexos da tese de Ana Dias (ver bibliografia abaixo), vemos que a iconografia mais antiga que se conhece de um instrumento quadrangular na Península Ibérica pertence ao contexto cristão e situa-se na Real Colegiata de San Isidoro de León, na Puerta del Cordero, Menestréis do Rei David (1063).

A mesma tese refere, sensivelmente da mesma altura, o Vaso de Tavira (final do séc. XI, início do XII, período Almorávida), pertencendo esta a um contexto islâmico.

Na obra de Molina podemos ver como uma das primeiras fontes que fazem referência a um adufe de forma quadrangular é a obra Kitab al-malãhi de Al-Mufaddal (830-905) onde o musicólogo destaca a expressão duff marabba´ (adufe quadrado).

O mesmo investigador faz referência ao que será a primeira fonte literária latina datada do ano de 964 “Timphanum: in quattour lignis extensa pellis” (Real Academia de la Historia, Codex Emilanense 46, 155r-1).

A história do adufe pode ser dividida em três partes

Resumindo, do meu ponto de vista, podemos dividir a história do adufe em três partes.

A primeira corresponde ao período de representação dos instrumentos quadrangulares no Egipto Antigo e Próximo Oriente (2000 AC), que eventualmente não se chamariam adufe e do qual pouco ou nada sabemos.

A segunda a partir das primeiras iconografias na Península Ibérica (séc. X).

A terceira que resulta na Tradição Oral actual, se partirmos do presente para o passado até ao primeiro registo ou referência à prática musical e ao instrumento que hoje reconhecemos como adufe. (Uma questão a investigar num futuro próximo).

Iconografia de referência

As fontes iconográficas (assim com as fontes literárias) são importantíssimas neste processo de compreensão. Remontam aos túmulos egípcios, estendem-se pelos pórticos de catedrais e igrejas na Península Ibérica, França e Itália, bíblias medievais, haggadah judaicos, cancioneiros, azulejos, pinturas, livros e esculturas (ver a investigação de Luzia Rocha, Ana Dias, Mauricio Molina, entre outros).

Vaso de Tavira

Da iconografia existente, saliento o Vaso de Tavira (Finais séc. XI, Inícios séc. XII).

Trata-se de uma maravilhosa peça de cerâmica, provavelmente a mais antiga iconografia islâmica do adufe na Península. No bordo do vaso podem observar-se várias figuras: animais, guerreiros e músicos, um dos quais toca um adufe. Pode ser visitado no Núcleo Islâmico do Museu de Tavira, no sul de Portugal. (clicar aqui para saber mais)

O adufe no século XXI

Como me disse Amélia Fonseca das Adufeiras de Monsanto : “o Adufe está vivo! E Já não morre!”

Para além da profusão de grupos e adufeiras do contexto tradicional, o adufe tem encontrado grande receptividade nos centros urbanos do litoral do país. Aliás, desde os tempos da Revolução de Abril que foi um instrumento símbolo da cultura Tradicional e do mundo rural.

Alguns dos marcos mais importantes na história recente do adufe são: o CD Cantares do Andarilho de Zeca Afonso (1968) e no fundo toda a projecção que o cantautor deu ao adufe; as peças de teatro “Raízes Rurais, Paixões Urbanas” (1997) e “Talvez… Monsanto” (2020) de Ricardo Pais; o espectáculo “Aduf” idealizado por José Salgueiro para a Expo 1998, em Lisboa; a criação da Oficina de Artes Tradicionais da Câmara Municipal de Idanha-a-Nova (2007) e a designação do adufe como símbolo do mesmo Município.

Nos últimos 10 anos, podemos observar um movimento crescente que importará estudar e que ganhou um grande impulso a partir do meu projecto AL-DUFF (ver abaixo). Já hoje é possível que haja mais adufeiras/adufeiros nas cidades da faixa litoral do país do que nas regiões do contexto tradicional (Idanha e Paúl).

É um instrumento apreciado, valorizado e tocado por variadíssimos grupos que o usam como instrumento principal e que não pertencem ao contexto tradicional, tais como: Projecto Aduf (adufões gigantes), Adufe em Lisboa, AdufeLab, Adufeiras do Porto, Adufe e Alguidar, Cramol, Segue-me à Capela, NEFUP, GEFAC, Crua, Fio à Meada, Cardo Roxo, Bandua, Criatura, Maria Monda, SullAduf, entre muitos outros.

Adufe na música nova

A evolução do instrumento e das técnicas de execução projectaram o adufe para a música nova. Juntamente com o compositor Bruno Gabirro o duo “Adufe&lectrónica” fez uma residência no Museu do Pico, nas Lajes do Pico, de 4 a 7 de Abril de 2019. Nos 4 dias de trabalho conceptualizámos um programa inteiramente dedicado ao diálogo entre o adufe e a música electrónica em tempo real.

As seis peças tinham por base a exploração de determinadas novas técnicas performativas, improvisação e interacção com os diversos aspectos e recursos da electrónica.

Em Junho de 2022, todo o programa foi gravado ao vivo no O´Culto da Ajuda, MisoMusic Portugal. Será publicado em breve CD e partituras.

Em 2020, o percussionista Tiago Manuel Soares, que fez um brilhante recital de fim de licenciatura sobre os instrumentos de percussão tradicional portuguesa (algo inédito!), encomendou “Ensaios sobre Cantos IV” à compositora Ângela Ponte. Esta peça constitui a primeira partitura editada para adufe (ver Multimédia abaixo)

O Projecto Al-Duff: a descodificação da Tradição

Em 2012, comecei o projecto Al-duff, no seguimento da minha tese de mestrado, realizada na ESMUC/UAB em Barcelona.

Foi acima de tudo um trabalho de Investigação/experimentação performativa no âmbito da Música Antiga que procurou compreender o adufe como instrumento mediterrânico e não apenas da Beira Baixa, relacionando-o com outras tradições e instrumentos da mesma família.

Foi feito um estudo multidisciplinar e abrangente do adufe que abrangeu o contexto histórico-musicológico, o trabalho de campo no contexto tradicional junto das Adufeiras (técnica tradicional, linguagem rítmica, as cantigas de adufe) , todo o processo construtivo junto dos Artesãos tradicionais e, por fim, a experimentação de novas possibilidades técnicas e contextos musicais e a criação de um método de ensino de adufe universal dos ritmos e da técnica tradicional portuguesa.

Daqui resultou uma compreensão holística do instrumento que se tem vindo a aprofundar e que nunca mais parou até aos dias de hoje.

Os objectivos principais deste projecto foram: elevar a construção e a performance do adufe a um nível profissional e de excelência; divulgar, promover e preservar o Adufe, fazendo com que mais pessoas participem na sua Tradição.

O processo de ensino

Do meu ponto de vista, até 2012, havia dificuldades na aprendizagem do adufe e na sua difusão porque não existia um método sistematizado de ensino, não havia conteúdos e oportunidades didácticas satisfatórias. Para além disso, o enfoque era no canto. O adufe era aprendido como algo secundário.

Na própria Tradição Oral, os ritmos não são compreendidos como algo distinto do canto, não existem per si. Não se ensinam os vários golpes de forma individualizada e nem se reconhecem os diferentes sons do adufe como elementos técnicos a praticar.

Não há noções sistematizadas da postura ou do papel de cada mão ao tocar.

O ensino do adufe é feito de forma puramente oral e intuitivo, como é natural: aprende-se a fazer, tocando e a cantando juntamente com as Adufeiras.

Daqui nascem vários problemas caso não pertençamos ao contexto tradicional e se só sejamos expostos a este processo de aprendizagem esporadicamente, tais como: a incompreensão dos padrões básicos, o tempo demasiado rápido das cantigas (para quem começa), a colocação e coordenação das mãos, a alternância dos golpes e a execução satisfatória dos diferentes sons, o equilíbrio do adufe, a posição do adufe em relação ao corpo e a postura corporal…

Por outro lado, havia já momentos importantes de formação fora do contexto tradicional, como por exemplo: os dinâmicos workshops das Adufeiras do Paúl no Festival Andanças; os workshops de instrumentos tradicionais do GEFAC, em Coimbra; ou o curso de adufe da Academia INATEL que ainda hoje funciona.

A revolução no ensino e a utilização de sílabas indianas

A partir do meu projecto AL-DUFF o enfoque passou a estar na execução do adufe, na técnica do instrumento e na qualidade de som, ao qual aportei os meus conhecimentos e experiência percussionista profissional.

Tal como aconteceu com outros frame drums, que conheceram uma grande popularização e crescente número de performers, a minha adaptação das sílabas do sistema rítmico indiano ao ensino permitiu abrir o adufe a todos: tornou fácil a compreensão dos sons e a memorização/articulação dos ritmos.

Esta inovação consta na minha tese de mestrado (2012) e tem sido implementada nos meus workshops de forma inédita desde essa altura.

Permitiu ainda que todas as pessoas que já tocavam outros frame drums pudessem tocar adufe facilmente. Esta inovação colocou o adufe dentro do movimento global de redescoberta dos frame drums que se iniciou nos EUA, com Glen Velez, por volta de 1970 e que se mantém até hoje com instrumentistas e festivais especializados (como, por exemplo, o Tamburi Mundi, em Freiburg, onde participo desde 2013 como músico, formador e artesão).

Tamburi Mundi 2013.

Os ritmos tradicionais

Até 2012 (ano da realização da minha tese), os ritmos de adufe era compreendidos de uma forma muito redutora. Não havia distinção do papel das mãos na articulação dos mesmos: mão dominante que conduz o ritmo e a mão não dominante ornamenta. O ritmo ternário (o ritmo binário não era tão conhecido, nem aparece transcrito tantas vezes), era geralmente transcrito assim:

A escrita para adufe era semelhante à usada para caixa, por exemplo. Como se observa, não há distinção entre os golpes, assume-se que o adufe só dá um som e que as mãos soam igual.

Os Encontros Med e a constante religação à Tradição

Os Encontros Med, dos quais fui co-fundador e director artístico (2018-2019), foram o corolário de uma uma série de workshops e formações que tinha vindo a organizar nos últimos anos, quer a nível pessoal, quer integrado na Frame Drums Atlantic (com do percussionista irlandês Dave Boyd, organização entretanto extinta). Foi um momento marcante no percurso do ensino de adufe dentro do espírito de missão que assumi: fazer a ponte entre as pessoas da Tradição e as pessoas de fora da Tradição.

Só foi possível pela direcção geral e produção de Daniela Tomaz, do apoio da DGARTES, do Município de Idanha-a-Nova e do Ensemble Med.

Nasceram dentro dessa filosofia as duas primeiras edições (2018 e 2019), contaram com participantes e professores de vários países, tendo a a Tradição Portuguesa do Adufe como tema central.

Foram professoras convidadas as Adufeiras de Monsanto. Proporcionaram a todos uma experiência única de aprendizagem e partilha. Complementada pelas minhas aulas de Adufe – Iniciação e Adufe – Moderno, juntamente com os professores Isabel Martínez (Pandero Cuadrado de Peñaparda), Bruno Spagna (Tamorra e Tamburello) e (Mauricio Molina) frame drums medievais e investigação.

Estes encontros, como outros momentos formativos que organizei, mostraram que se podia ir às aldeias aprender com as pessoas de lá. E que isso era uma experiência extremamente rica a todos os níveis: humano, social, cultural e pessoal.

Acredito que a grande evolução do adufe nos últimos 10 anos se deveu à não exclusão das pessoas do contexto tradicional deste processo. Construiu-se algo novo e com uma perspectiva criativa, mas sempre com a Tradição como base. As adufeiras e artesãos participaram e continuam a participar no processo.

Criou-se uma comunidade e uma rede de contactos em torno do adufe (que a internet facilitou) e passou a haver cada vez mais gente a visitar as aldeias e a aprender directamente.

Método de Adufe – I Parte: Iniciação

Depois orientar cerca de 100 workshops, nos últimos 10 anos, onde participaram mais de 1000 pessoas, decidi resumir e sintetizar os conteúdos pedagógicos no Método de Adufe.

Neste Método, publicado em Outubro de 2022, o adufe é tratado como um instrumento de percussão, seguindo as metodologias da percussão erudita, com exercícios progressivos e sistematizados partindo sempre da linguagem tradicional. Onde introduzo também o metrónomo no estudo do adufe.

A técnica tradicional, os ritmos e as cantigas são desconstruídas, descodificadas e explicadas, ficando acessíveis a todos.

Disponibilizo ainda aulas individuais e um Curso Online de Adufe a decorrer em 2022/2023.

Onde aprender adufe actualmente?

Fora do contexto tradicional, nas cidades do litoral, multiplicam-se as oportunidades de formação e os grupos onde se aprende a tocar e cantar com o adufe. São vários formadores que têm tido um papel extremamente importante na divulgação do adufe e na preservação do seu uso, nomeio alguns: Sebastião Antunes, Rui Vaz, Tiago Manuel Soares, Helena Reis e Susana Mareco, Bárbara Trabulo, Juan de La Fuente, Victor Rodrigues Vila, Rui Pinho Aires, entre outros.

Em 2020, A Filarmónica Idanhense criou o projecto “Adufando“. Uma iniciativa ímpar na formação do adufe no contexto tradicional e escolar, assumindo-se desde sempre como uma instituição fundamental na defesa da Cultura e Tradições locais.

Construção tradicional

Os armas do meu adufe, são de pau de laranjeira. Quem quiser tocar nele, há-de ter a mão ligeira.

Na minha tese (ver bibliografia), dedico o capítulo II à análise do processo de construção tradicional. Aí procuro resumir os métodos e materiais utilizados. Aconselho também a leitura dos anexos a entrevista a José Relvas (p.80), mestre artesão, guardião do Saber expoente máximo da construção artesanal de adufes:

Tenho treze a catorze modelos. O 40 por 40 é o profissional. O resto é decoração e para as crianças.

As medidas abaixo, recolhidas na oficina de José Relvas, representam um exemplo dos diferentes tamanhos de adufe existentes. As dimensões não estão padronizadas entre os artesãos e podem variar consoante o gosto de cada um ou a disponibilidade de madeira e pele. Há sempre uma lógica de aproveitar a pele ao máximo. Por exemplo, podem construir um adufe grande e com os restos outros mais pequenos.

[5,9cm de lado por 1,4cm de espessura.]

[10cm por 2,2cm][13 cm por 2,4cm]

[20 cm por 3,9cm] Já toca qualquer coisa.

[25,5 por 5cm. Armas 16,8mm de espessura.]

[30,5cm por 5cm. Espessura das armas: 20,50mm]

[35cm por 5cm, armas: 20,50mm]

[40,8cm por 6,6cm. Espessura das armas: 20,90mm]

Com José Relvas os adufes cresceram em dimensões quando comparados com os instrumentos mais antigos. Possivelmente por haver mais homens a tocar e estes terem mãos maiores para segurar o adufe. É comum haver uma procura por adufes com mais grave e com maior volume sonoro, consequentemente maiores. (Apesar desta questão não estar merecer maior atenção e discussão: o som grave do adufe depende muito da tensão correcta da pele e da técnica de execução.)

O José Relvas constrói adufes mais especiais com: 45cm de lado, 50cm, 55cm, 60cm. E, segundo recordo, o maior de todos construído pelo artesão terá cerca de 1 metro.

(Instrumentos excessivamente grandes levantam vários problemas de execução e na qualidade som, na posição tradicional das mãos, a mão forte não consegue atingir a zona de ataque correcta e onde se obtém mais graves.)

Relvas e o seu adufe.

Terminologia

Adufe (nome comum), pindeiro (na zona de Malpica do Tejo).

Peles – pele de cabra ou ovelha. No passado, também se usava “samarras” (ver Luís Henrique, em Instrumentos Musicais)

Armas – estrutura de madeira ou se armam as peles; também se difundiu como “aros”. Alguns autores referem também caixilho, moldura ou armação. Do meu ponto de vista, os dois primeiros (caixilho e moldura) não estão correctos uma vez que delimitam algo. No caso do adufe, a pele envolve a estrutura estrutura e esta fica por dentro. 

Maravalhas – fitas coloridas ornamentais presas nos cantos do adufe. Antigamente usavam-se restos de tecidos das roupas. 

Fita colorida – fita decorativa que esconde a costura da pele, geralmente de cetim.

Caricas, guizos, pedras, sementes, pedaços de metal ou latão – soalhas interiores (termo que usei pela primeira vez em 2012 para denominar os objectos que se colocam dentro do adufe. Mais tarde, inovei colocando um elástico à volta do adufe para obter um efeito semelhante a alguns adufes e pandeiros, que tinham cordas ou arames por dentro, que vibravam em contacto com a pele e alteram o seu timbre. Neste caso com a facilidade de se poder pôr e tirar facilmente.

Adufes Rui Silva: Construção para o futuro

Como artesão/percussionista motiva-me a inovação e o desenvolvimento do adufe, com rigor, profissionalismo e qualidade. Aportando conhecimento e experiência de outras áreas e pessoas. O objectivo é construir um adufe de nível profissional com mais qualidade sonora, versatilidade e fiabilidade como qualquer outro instrumento de percussão.

Em 2013 criei o sistema de afinação. Um recurso inédito no adufe, desenvolvido no âmbito da minha tese. Até esta data o adufe era um instrumento de afinação volátil, que dependia das variações de humidade e temperatura.

Em 2016, desenvolvi uma estrutura que proporciona a sensação de se estar a tocar em instrumentos diferentes, um adufe tradicional e um frame drum (que permite a exploração de técnicas com dedos).

Em 2018, introduzi pela primeira vez uma estrutura de espessura assimétrica, isto é, um dos canto do adufe é mais estreito, para ser mais fácil de agarrar com a mão esquerda.

Em 2022, introduzi nos adufes maiores uma abertura na estrutura que permite colocar, retirar as caricas. Desta forma podemos escolher se queremos mais ou menos vibração das mesmas em contacto com a pele. (Penso que esta inovoção terá sido proposta pelo Pancho Tarabbia à Oficina Faceadinha).

Desde 2015 que utilizo madeiras açorianas (criptoméria). São leves e muito ricas timbricamente, o que potenciou a relação com o adufe, a sua dinâmica de movimento ao tocar e aumentou as possibilidades musicais.

Repensei praticamente todas as partes e aspectos da construção de um adufe, na prossecução do objectivo principal: criar um instrumento tradicional para o futuro.

Cantigas de adufe: prática e repertório

Por todo o mundo, e desde tempos antigos, os frame drums acompanham a voz (e a dança).

Em Portugal, as cantigas de adufe caracterizam-se por uma melodia estrófica cantada em uníssono, ou seja, todo o grupo canta a mesma melodia que se vai repetindo, em todas as estrofes e refrão. Os adufes, também em uníssono, acompanham o canto, sustentando-o através da repetição ad aeternum de um padrão rítmico binário ou ternário, sem variações. A pulsação oscila subtilmente ao longo da música de acordo com o canto, a letra e a respiração dos executantes. Não há referências tonais, nem progressões harmónicas, a cantiga é cantada num tom implícito e confortável para o grupo, que advém da experiência de cantar juntos.

O grupo de adufeiras é normalmente dirigido pela adufeira mais conhecedora dos toques e cantigas e que é naturalmente reconhecida por todos os elementos. É ela que marca o início das cantigas e o fim, o ritmo dos adufes, as respirações e o fim da música.

A transcrição de melodias utilizando a notação ocidental e o temperamento igual (12 meios tons iguais), pode, na minha opinião, retirar às cantigas a sua essência oral, ou seja, muitas vezes, o transcrito em nada se parece com a origem, uma vez que os intervalos são “corrigidos”, e leva, muitas vezes, à tentação de harmonizar. Acredito que prática das cantigas de adufe está mais próximas das práticas antigas mediterrânicas (melodia e ritmo) do que do sistema harmónico moderno ocidental, pelo que idealmente sejam aprendidas por via oral, directa (com as adufeiras) ou indirectamente (através de registos audio-visuais).

Adufeiras

(Esta galeria está incompleta e não é de maneira nenhuma hierárquica.)

Adufeiros

(Esta galeria está incompleta e não é de maneira nenhuma hierárquica.)

Apesar de ser um instrumento feminino, hoje há vários homens a tocar: uns que conhecem os toques e cantigas tradicionais, integrando os grupos tradicionais; outros dão novas perspectivas ao adufe.

Beira Baixa

Nós não somos mais do que ninguém, limitamo-nos a fazer aquilo que fazemos, bem feito, porque trabalhámos muito para o fazer bem feito e com dignidade, de maneira a que quando estamos no palco estamos a representar os nossos antepassados, estamos a representar uma época, e, fazemo-lo com toda a dignidade, com a mesma dignidade com que eles nos deram esse legado e é com essa dignidade que queremos continuar a cantar.

Amélia Fonseca, Adufeiras de Monsanto

Idanha-a-Nova é um dos pilares da Tradição do adufe. Praticamente, todas as freguesias têm um grupo de adufeiras ou um rancho folclórico onde os adufes estão presentes. São dos mais representativos: as Adufeiras de Monsanto, as “Modas e Adufes” de Proença-a-Velha, Rancho Folclórico de Penha Garcia e as Adufeiras de Idanha-a-Nova.

As avós tocam com as filhas e com as netas, o toque do adufe e o seu repertório está vivo. Ao contrário do que muitas vezes se pensa, o universo das cantigas e o toque do adufe é riquíssimo: uma adufeira de Monsanto sente, toca, move adufe e canta de forma completamente diferente de uma adufeira de Penha Garcia ou do Rosmaninhal. Da mesma forma, as cantigas e as letras das cantigas variam de aldeia para aldeia. É comum a mesma melodia receber quadras diferentes consoante o lugar onde é cantada.

O adufe acompanha o canto. Num grupo de adufeiras todas percutem o mesmo ritmo e cantam a mesma melodia, que se repete em todas as estrofes. Esta prática repetitiva remete para práticas ancestrais, como eram os rituais de fertilidade, cura ou adoração da Antiguidade. É curioso constatar que esta dimensão religiosa/espiritual está tão subtilmente presente nas romarias de adufe e na devoção a nossa Senhora, a São João, a São Pedro ou à Divina Santa Cruz.

Artesãos

Em Idanha, há vários artesãos de adufes activos como José Relvas ou a Fátima Silva (Adufartes). A própria Câmara Municipal criou nos anos 90 a Oficina de Artes Tradicionais, onde são construídos milhares de adufes, que são vendidos e oferecidos como símbolo do Município. Em Salvador, concelho de Penamacor, podemos encontrar Armando Vinagre, provavelmente o mais velho artesão ainda em actividade. Em Castelo Branco, no centro da cidade, podemos comprar adufes a Francisco Caramelo.

Fora do contexto tradicional, nas cidades, constroem adufes a Oficina de Artesanato César de Ermesinde e o Sr. António Carneiro (ambos de famílias com tradição na construção de bombos e caixas). Em 2013 lancei a minha marca Adufes Rui Silva. Actualmente, a Bárbara Trabulo, a Silvana Dia (Casulo Instrumentos) e a Oficina Faceadinha (Afonso Passos e Nuno Xandinho) também estão a construir.

A Sara Mercier, segundo o relato do Edgar Valente, teve a oportunidade de aprender a coser um adufe junto do José Relvas. O José Relvas sempre recebeu todas as pessoas e colaborou nas entrevistas sobre o adufe, mas nunca revelou qualquer segredo ou partilhou o seu saber.

Paúl, Covilhã

Na aldeia do Paúl, na Covilhã, o adufe tem no Grupo de Adufeiras da Casa do Povo do Paúl um dos mais dinâmicos grupos da actualidade. Dança-se, canta-se e toca-se adufe em simultâneo, num exercício de coordenação impressionante. As adufeiras do grupo, dirigidas pela Leonor Narciso, para além de cantarem o repertório antigo, exploram o adufe performativamente, introduzindo-o em praticamente todos os momentos da vida colectiva: cantares, danças, cantilenas, lengalengas, jogos rítmicos, rimances, rituais quaresmais, encomendação das almas e espectáculos. São frequentemente convidadas para dar workshops de adufe em grandes festivais de Verão, como, por exemplo, o Andanças.

Enquanto instrumento, o adufe do Paúl, é igual ao de Idanha-a-Nova: as samarras (peles de cabra ou ovelha) são cosidas à volta das armas (caixilho de madeira), enfeitam-se os cantos com maravalhas (fitas coloridas) e pode ou não ser colocada uma fita de cetim colorida por cima da costura. No interior do adufe são colocadas soalhas: sementes, pedras, cápsulas de garrafas, bordões e guizos.

O pandeiro mirandês

A palavra pandeiro, segundo Mauricio Molina, terá a sua origem a partir do árabe bandayr, aparecendo em fontes mais tardias na Península Ibérica (séc. XV, XVI).

Pandeiro” em Trás os Montes ou “Pandeiro Mirandês” (de Miranda do Douro), é no séc. XXI um instrumento de percussão tradicional portuguesa, frame drum, bimembranofone de formas diversas (o que o distingue claramente do adufe, além das suas dimensões serem mais reduzidas): triangular, hexagonal, pentagonal, losangular e quadrangular. Dentro do instrumento podem ser colocados bordões, guizos ou sementes.

Apesar de ser um frame drum tal como adufe, de ser português e de ter formas semelhantes, é necessariamente um instrumento diferente.

De destacar o extraordinário trabalho do músico e artesão Paulo Meirinhos (Galandum Galundaina), na recuperação e divulgação do instrumento. Neto do artesão Alfredo Ventura e de Maria R. Fidalgo, diz em pandeiromirandes.blogspot.pt: “Ora, l único que fazíe pandeiros an Dues Eigreijas era Tiu Alfredo (miu abó) que se murriu hai binte anhos, i zde anton para acá nunca mais soube de naide que fazissa estes strumentos. Anton, quando nun hai, hai que ambentar algo…” A construção e a utilização dos instrumentos quase desapareceu. Neste sentido, é também fundamental o trabalho de registo, nomeadamente, os mais recentes vídeos do realizador Tiago Pereira, onde se pode ver Maria H. Ventura (MPAGDP, projecto 755) e Fernanda L. Atanásio, (que também constrói) de Freixo de Espada-à-Cinta (MPAGDP, projecto 1617). Nos registos áudio de Veiga de Oliveira, era possível ouvir o pandeiro a acompanhar a gaita de foles, uma instrumentação que, infelizmente, parece ter desaparecido.


O insuficiência dos registo audio-visuais e o futuro da Tradição

Haciéndola. No hay otra manera. Por supuesto grabar, filmar es imprescindible. No mantiene necesariamente una tradición pero por lo menos queda documentada. Reunir estudiosos es muy divertido para los estudiosos, pero no suele ayudar nada a las tradiciones. (Judith Cohen, 2012. parte da sua resposta à questão: como poderemos preservar a tradição? vide Anexos – Entrevista a Judith Cohen)

Ao longo do meu trabalho sempre me fascinou o contacto com as adufeiras e artesãos tradicionais, com os quais mantenho um contacto regular desde há 12 anos. Acredito que a Tradição se alimenta desta passagem de conhecimentos, afectos e vivências. É daqui que penso que se deve partir para o futuro do Adufe e da sua Tradição. Com o coração na raíz e nas pessoas que transportaram este saber.

De outra forma estamos só a usar um instrumento tradicional português como poderíamos estar a usar qualquer outra coisa de qualquer outro lugar.

Os registos audio e audio-visuais não são suficientes para conhecer o adufe e manter a Tradição. As facilidades da tecnologia não podem tornar-nos “preguiçosos” de ir às aldeias aprender. Sem contacto, comunhão e partilha humana não há continuidade.

As narrativas sobre o instrumento: o marketing turístico, a popular, a mística e a académica

O adufe é um instrumento tradicional, social, espiritual, popular, místico, religioso, mágico.

Existem um sem fim de narrativas e histórias que procuram caracterizar o adufe e o seu contexto. São valiosas e singulares porque reflectem a paixão, fascínio, interesse e o impacto que o instrumento causa.

Contudo temos de lê-las com espírito crítico e procurar encontrar fundamentos no contexto tradicional actual (junto das adufeiras e artesãos), nos registos audio-visuais existentes e principalmente nos estudos académicos que se têm vindo a fazer sobre o adufe. É importante ir à raíz, sabendo apesar de tudo que o tempo apaga e transforma as vivências e a compreensão das mesmas.

Este património de narrativas e histórias são, sem dúvida, parte do adufe e do seu carácter, e transportam mais que tudo um passado ancestral profundo que se manifesta anacronicamente.

Obras e autores a ler… (em construção)

ALVAREZ, Rosario. Adufe. Em: Dicionario de la Música Española y Hispanoamericana. Volume 1 (de 10). s/l: Sociedade General de Autores y Editores, 1999. p. 81. ISBN 84-8048-304-0

ALVES, Adalberto. Arabesco da música árabe e da música portuguesa. Lisboa: Assírio e Alvim, 1989. ISBN 972-37-0237-1

ARIAS, Pablo Carpintero. Os Instrumentos Musicais na Tradición Galega. Ourense: Co- edición Proxecto Ronsel e Difusora de Letras, Artes e Ideas, Lda. 2009. ISBN 978-84-937421-5-7

BLADES, James. Percussion Instruments and their history. London: Faber and Faber Limited, 1970. ISBN 0 571 08858 9

BLANCO, Carlos. Instrumentos Musicales Étnicos del Mundo. Múrcia: Comunidad Autónoma de La Region de Múrcia, 2008. ISBN 978-84-606-4523-8

CARVALHO, J. Soeiro. Adufe. Em: Enciclopédia de Música em Portugal no Século XX . 1o vol (de 4). Lisboa: Círculo de Leitores, 2010. ISBN 978-98-964-4108-1. p. 12-13.

CASTELO-BRANCO, S. Portugal. Em: The Garland Encyclopedia of World Music. Vol. 8, Europe. NY and London: Garland Publisher Inc, 2000. ISBN 0-8240-6034-2. p. 576-587.

COHEN, Judith. El pandero cuadrado en España y Portugal. Cahiers du P.R.O.H.E.M.I.O,
2004.
COHEN, Judith – “‘This Drum I Play’: Women and Square Frame Drums in Portugal and Spain” (Ethnomusicology Forum 17(1):95-124, 2008)

COHEN, Judith R. Dále, niña, al pandero! – Hit that drum, girl – Frame drum traditions and changes in Portugal and Spain. In: Richard Graham and N. Scott Robinson,eds. / Transculturation and Organology: Frame Drums in Time, Space, and Context/. Ashgate Press, in preparation. 2012

DIAS, Ana Carina – “O adufe: o contexto histórico e musicológico” (tese de mestrado, 2011)

_, Iconografia Musical no Vaso de Tavira. Acta do I Encontro Ibero-Americano de Jovens Musicólogos Por Uma Musicologia Criativa… . Lisboa: de 22 a 24 de Fevereiro de 2012. Editor: Marco Brescia. Publicado por Tagus Atlanticus Associação Cultural. ISBN 978-989-20-2892-7. p. 68-79.

GALLOP, Rodney. Cantares do Povo Português. Lisboa: Instituto de Alta Cultura, 1960. GIACOMETTI, Michel et al. Caminho para um Museu. Lisboa: Edição Câmara Municipal
de Cascais, 2004. ISBN 972-637-120-1

. Cancioneiro Popular Português. Lisboa: Círculo de Leitores, 1981.

HENRIQUE, Luís. Instrumentos Musicais. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2004. ISBN 9789723110678 .

HENRIQUE, Luís. Acústica Musical, 2a Edição, Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2007.

GARCIA de la Cuesta, Dani – “Sobre los Panderos Cuadrados” (2006)

DIAS, Jaime Lopes. O que a nossa gente canta. Etnografia da Beira. Vol. IV. Vila Nova de Famalicão: Minerva, 1937.

LOPES-GRAÇA, Fernando. A Canção Popular Portuguesa. 2a edição. Lisboa: Europa- América, , 1974.

MOLINA, Mauricio – “Frame Drums in the Medieval Iberian Peninsula” (2010); dissertação (2006) com o mesmo tema aqui

MORAIS, Domingos. Notas sobre a Música e Instrumentos Musicais Populares Portugueses. Lisboa: Conferência enviada às Jornadas de Música Lusófona. 2008

MORRIS, R. Conway. et al. Daff. Em: The New Grove Dictionary of Music and Musicians. 2a edição, vol. 6 (de 29). London: Macmillan Publishers Limited, 2001. p. 832-834. ISBN 0-333-60800-3

OLIVEIRA, Ernesto Veiga. Instrumentos Musicais Populares Portugueses. 3a edição (1a, 1966). Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, Museu Nacional de Etnologia, 2000. ISBN 972-666-075-0

_. Em Busca de Um Mundo Perdido. Revista da Juventude Musical Portuguesa Arte Musical, número especial Quinzena de Etnomusicologia. 1982. Revisto por Domingos Morais em 1999. p. 6-10

PINHO, Flávio – “O Cancioneiro Musical de Penha Garcia” Coleção Raiz do Tempo
Género Etnografia. Folclore, Costumes. Editora Palimage, Coimbra 2011.

RANDEL, D. M. The Harvard Dictionary of Music. Cambridge: Harvard University Press, 4a edição. 1986. ISBN 0-674-01163-5

REDMOND, Layne. When the drummers were women – a spiritual history of rhythm. New York: Three Rivers Press, 1997. ISBN 0-609-80128-7

RIBEIRO, Orlando, Portugal: o Mediterrâneo e o Atlântico. 6a edição. Colecção Nova Universidade. Lisboa: Livraria Sá da Costa Editora, 1991. ISBN 972-569-320-7

ROBINSON, N. Scott. Frame Drums and Tambourines. A: Continuum Encyclopedia of Popular Music of the World. Volume 2, Performance and Production. New York: Continuum, 2003. ISBN: 978-0826463227. p. 349-350, 362-372.

SANTOS, Maria João Correia et al – “A Canção Raiana Perdida, Raízes Sonoras da Beira Baixa” – ADRACES – Associação de Desenvolvimento da Raia Centro-Sul, 2014

SARDINHA, José Alberto. Tradições musicais da Estremadura. 1a edição. Vila Verde: Tradisom, 2000. ISBN 972-8644-00-0

SILVA, Rui – “Al-duff: bases para a aplicação das técnicas de frame drums mediterrânicos ao adufe, séc. XXI adentro.” Barcelona, 2012. Tese de mestrado ESMUC/UAB.

SILVA, Rui – “Adufe para o séc. XXI: sem braseiro, sem secador de cabelo, sem cobertor eléctrico” (cap. 9, pp. 142-157, Iconografia Musical: organologia, construtores e prática musical em diálogo CESEM, Universidade Nova, 2017 )

SILVA, Rui – “Adufe, the portuguese frame drum” – SILKROADIA Web Magazine Vol.3 No 2. 2021.

TRABULO, Bárbara – “O adufe entre o passado e o futuro” Fonoteca Municipal do Porto.

VALARINHO, António et al. As Idades do Som. Lisboa: Instituto do Emprego e Formação Profissional, 2006. ISBN 972-732-992-6

VILLAR. Gemma. S. Pandero. Em: Dicionario de la Música Española y Hispanoamericana. Volume 8 (10). s/l: Sociedade General de Autores y Editores, 2001. p. 432-433. ISBN 84-8048-311-3

Multimédia

128 vídeos sobre o adufe na actualidade, em A Música A Gostar Dela Própria de Tiago Pereira.

Canal Youtube Adufes Rui Silva

Canal Youtube Flávio Pinho

NOTA: Esta página não é um crivo de nenhuma espécie. Pretende celebrar as pessoas e a Tradição do Adufe. Caso identifiquem qualquer erro, imprecisão ou omissão ou caso queiram criticar, sugerir ou acrescentar conteúdo podem usar o meu email: ruisilvaperc@gmail.com


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