Adufe: introdução aos ritmos do Mediterrâneo

Em 2011, fui ao Labyrinth Musical Workshop, em Houdetsi (Creta) e fiz uma formação de frame drum com Zohar Fresco.

Aprendemos uma composição da sua autoria com seis ritmos que são tocados por toda gente no Mediterrâneo e 3 frases.

É um exercício de nível básico/intermédio.

Esta tentativa adaptação para adufe abre uma linguagem que lhe assenta bem e que mostra como o toque tradicional português do adufe tem semelhanças com a execução de outros frame drums do mundo.

Como tocar?

No vídeo, cada ritmo é tocado 4 vezes. Agito o adufe de cima para baixo quando passa para outro ritmo.

O D corresponde ao som Dum, o T ao som .

Os traços são tocados com a mão esquerda (ki), como ghost notes.

Depois de aprender os ritmos individualmente e sequencialmente como no vídeo, podem começar a aprender as frases uma de cada vez. O pulso com que lêem os ritmos de cima é o mesmo das frases. (se houver dúvidas, estou à disposição).

Podem trabalhar cada ritmo e a sequência de frases como nos vídeos abaixo.

forma: ritmo 4 X + frases 123

Whade

Ayoub

Maqsum

Saidi

Masmoudi

Karachi

Pico Island Full Moon, ritmo

As noites de Lua Cheia são particularmente espectaculares na ilha do Pico, nos Açores.

Numa das noites, fui tocar adufe para as rochas, perto do mar. O luar estava incrível, via-se tudo.

Este foi o ritmo que surgiu.

No vídeo, à esquerda podem ver e ouvir a frase de 9 tempos repetida ciclicamente do início ao fim. No lado direito, a mesma frase é tocada no mesmo tempo e ao ao dobro, intercaladamente.

Como tocar?

  1. Aprender a frase, dizendo lentamente.
  2. Dizer e tocar no adufe.
  3. Os traços que marcam a subdivisão podem ser preenchidos por ghost notes na mão esquerda (som que designo de ki).
  4. Play-along com o vídeo.

Legenda

D – dum (som grave, mão direita)

T – tá (som agudo, mão direita)

tkdm – tákádimi (alternando as duas mãos no som agudo)

Estudo I (M.Peters)

O livro Intermediate Snare Drum Studies de M. Peters é uma das obras “obrigatórias” na formação artística em Portugal, na disciplina de Percussão.

A minha proposta na interpretação deste exercício no adufe é tentar perceber e explorar a adaptação da linguagem de caixa ao adufe.

Este exercício, na disciplina de Percussão e em caixa, é usado para trabalhar o equilíbrio entre as duas mãos, o fraseado, a destreza e o controlo na execução.

A sua adaptação ao adufe lança vários desafios. Ao contrário da caixa, em que seguramos uma baqueta em cada mão, no adufe as mãos têm papéis e posições diferentes em relação ao instrumento, o que só por si já provoca golpes distintos.

No vídeo, gravei um grupo de adufeiras a tocar em uníssono e a ornamentar de forma tradicional, ou seja, podem ouvir “flams” à colcheia. As colcheias e semínimas são tocadas no Dum e as semicolcheias no Tá.

Como praticar?

Estudar sem ornamentação, tocando o ritmo que aparece escrito.

Juntar os “flams” em estilo tradicional.

Dúvidas?

Caso pretendam aprofundar os conhecimentos no adufe, aprender a ler ritmo ou tenham outra dúvida/sugestão, estou à disposição. Aulas online e presenciais.

Adufe: single strokes

Exercício para praticar a destreza, a igualdade e o equilíbrio dos Dum e Tá executados com ambas as mãos. Relembro, que tradicionalmente a mão esquerda apenas ornamenta os padrões rítmicos (o som que designo por ki).

Neste exercício, gravado lentamente para poderem seguir e tocar por cima, podem observar os números de 1 a 4, que correspondem à forma como toco todo o exercício, ou seja:

1 – começo sempre com a direita

2 – começo sempre com a esquerda

3 – começo um compasso com a direita e outro com a esquerda

4 – vice-versa.

O objectivo do exercício é que vão experimentando e procurem o equilíbrio e igualdade nos golpes de direita e de esquerda, isto é, que um Dum na esquerda se assemelhe o mais possível a um Dum não direita.

É aconselhável dizer as sílabas rítmicas ao mesmo tempo que se toca.

Se tiverem qualquer dúvida ou quiser aprofundar este exercício, estou à disposição para aulas online ou presenciais.

Symetrical Stickings no adufe

Descobri há pouco tempo o livro Symetrical Stickings de Pete Lockett.

Como este fantástico método é para caixa (snare drum) e para ser tocado com baquetas, a adaptação dos exercícios ao adufe constitui um desafio.

No vídeo toco 3 vezes o padrão tradicional binário seguido do exercício 3 da p.1. Duas vezes a metade do tempo (140 bpm) e depois ao tempo.

Aqui podem ver a minha transcrição do exercício 3 para adufe.

Paradiddle

O paradiddle é um rudimento de caixa que podemos encontrar na tradição musical militar dos Estados Unidos da América.

Consiste na aticulação de um grupo de 4 figuras rítmicas iguais, de forma repetitiva, começando uma vez com a direita, outra vez com a esquerda e fazendo uma dupla na 3ª e na 4ª figura.

Paradiddle é também uma onomatopeia “Pa” e “ra” correspondem a uma batida com cada uma das mãos e “diddle” corresponde a uma dupla.

No adufe, começo o paradiddle com a mão direita no som “Dum” e na mão esquerda no som “Tá”.

Nestes exercícios estou a usar a técnica tradicional, ou seja, toco com a mão completa, não uso dedos individualmente.

Exercício com Paradiddle e Paradiddle diddle.

Exercício começando o Paradiddle em diferentes partes do tempo.

Este exercício aparece no livro “Symetrical Stickings” de Pete Lockett.

Tamburi Mundi – workshop e curso 2020

Day 1

Summary

  1. Traditional frame drum playing from portuguese women 
  2. Traditional rhythm – 3 beat cycle
  3. How to use a traditional song to develop singing, technique and musicality

Step by step:

  1. learn the traditional melody singing along with the ladies, using any syllable, like “la la la”.
  2. Sing with a drone (like a tambura sound) to help you stay in tune.
  3. Play with the traditional 3beat cycle and the two variations with ornamentation
  4. Learn the 9 stroke roll fingering, starting in Dum and (you can use it in round frame drums in standing position).
  5. Play the 9 stroke roll fingering over a 3 beat cycle, like in the table above. Try to beat the pulse with your foot.
  6. Sing the traditional song over the 3 beat cycle on the foot, the 9 stroke roll fingering on the frame drum and don´t forget to breath. 🙂

Day 2

Summary

  1. Traditional 2 beat cycle and variations
  2. “Taimpum” traditional song with konnakol
  3. Adufe trio in 11
  4. 11 beat bridge subdivisions

NOVO MODELO: Adufe de Miriam

PREÇO ESPECIAL: ADUFE+SACO+portes PT

Dizem as Escrituras (Livro do Êxodo), que o Mar Vermelho se abriu e se fechou. O poderoso exército do Faraó sucumbiu. O povo de Israel, que tinha atravessado a pé enxuto, pôde encontrar a glória e a paz.

Miriam e as mulheres hebraicas pegaram nos seus tupin, tocaram, cantaram e dançaram de júbilo.

Haggadah de Oro, Catalunha 1320, British Library

Neste magnífico Haggadah judaico ibérico, datado de 1320, podemos observar que o tof myriam a que o texto se refere (tupin, no plural), é representado como um adufe de forma quadrangular.

Note-se que na tradição judaica, a expressão tof myriam é usada para o instrumento redondo unimembranofone, isto é, só com uma pele.

O adufe representado aparece pintado, provavelmente com henna, tal como ainda hoje podemos observar em Marrocos. Ao repararmos no desenho, podemos observar uma estrela de 8 vértices, cuja base são dois quadrados sobrepostos, podemos observar ainda ornamentos em quatro cantos, que nos remetem para as maravalhas que enfeitam os adufes actuais. A imagem pode ser vista também como uma espiral de quadrados sobrepostos, que dão a ilusão de profundidade e perspectiva. (Muito mais há a dizer sobre este símbolo antigo e mágico. Algo que irei tentar resumir num próximo artigo.)

Características:

Este novo modelo é inspirado na imagem do Haggadah de Oro e na passagem bíblica que ela representa.

Adufeiro no Vaso de Tavira, séc. X-XI.

É um adufe semelhante ao modelo UNIVERSAL, mas mais pequeno. Com 33cm de lado, é mais portátil, mais fácil de transportar e tocar. É um instrumento que é confortável e versátil de manusear, de passar de uma mão para outra e/ou de segurar só com uma mão.

Vaso de Tavira, séc. X-XI. Adufeiro à esquerda.

A espessura de 6cm, em 3 dos cantos, e de 5cm no outro, inovação já presente no modelo UNIVERSAL (espessura variável), garante um som com corpo, ataque, definição e clareza. Não é um adufe pequeno com um som pequeno. É um adufe pequeno, com som grande.

A posição das peles em relação uma à outra, que não é paralela, faz com a produção e sustain do som sejam surpreendentes.

É também um instrumento “2 em 1”. No mesmo adufe, as duas peles soam como se se tratasse de 2 instrumentos diferentes, basta rodar o adufe. De um lado, um frame drum e do outro, um adufe tradicional. Isto é possível pela inovação ao nível da estrutura de madeira.

As peles são escolhidas de acordo com as técnicas a executar, no lado frame drum, uma pele mais fina, para produzir mais agudos e um timbre mais directo e claro; no lado adufe tradicional, uma pele ligeiramente mais grossa, para ter mais graves e médios, produzindo o som típico do adufe português.

São possíveis várias versões, com pele natural ou pintada, com ou sem desenho, com ou sem decorações, etc.

Uso

É um instrumento mais solista, com uma capacidade de projecção de som nas frequências mais agudas que oferece à adufeira ou adufeiro maior resposta a ritmos mais rápidos e passagens rítmicas mais virtuosas. Pela sua clareza e maior tensão da pele é ideal para tocar ritmos do Mediterrâneo e do Médio Oriente.

É também um instrumento, à semelhança do que vemos na representação de Miriam e das mulheres, ideal para acompanhar o canto e outros instrumentos, sobretudo na música antiga. É um instrumento capaz de manter toda a qualidade sonora em dinâmicas mais piano e com um timbre bem distinto e rico, entre graves, médios e agudos.

Iglesia de Santa María de Yermo, séc. XII, Cantabria, Espanha.

Também aconselhado para o repertório ibérico antigo medieval, nas mais diversas instrumentações, tal como o encontramos, por exemplo, representado nos capitéis das capelas e igrejas da Península.

PREÇO ESPECIAL: ADUFE+SACO+portes PT

11 por 8 (2+2+3+2+2) + ponte 4 3 2 1

Este exercício é a continuação do estudo do 11 por 8 búlgaro, com subdivisão 2 + 2 + 3 + 2 + 2. (No vídeo anterior têm mais informações sobre o que são compassos e subdivisões.)

Como tocar:

1 – Repetir o padrão base três vezes. Como podem ver no vídeo o padrão é tocado com a direita (dum e ) e ornamentado com a esquerda (ki).

2 – Tocar a ponte, a que chamo 4 3 2 1. Porque construo uma frase de dois compassos em semínimas. (não se preocupem se não sabem música ou se não entendem, com o vídeo conseguem perceber facilmente).

Primeiro, 4 semínimas, depois 3, 2, 1 e pausa, onde digo “i”.