Symetrical Stickings no adufe

Descobri há pouco tempo o livro Symetrical Stickings de Pete Lockett.

Como este fantástico método é para caixa (snare drum) e para ser tocado com baquetas, a adaptação dos exercícios ao adufe constitui um desafio.

No vídeo toco 3 vezes o padrão tradicional binário seguido do exercício 3 da p.1. Duas vezes a metade do tempo (140 bpm) e depois ao tempo.

Aqui podem ver a minha transcrição do exercício 3 para adufe.

Paradiddle

O paradiddle é um rudimento de caixa que podemos encontrar na tradição musical militar dos Estados Unidos da América.

Consiste na aticulação de um grupo de 4 figuras rítmicas iguais, de forma repetitiva, começando uma vez com a direita, outra vez com a esquerda e fazendo uma dupla na 3ª e na 4ª figura.

Paradiddle é também uma onomatopeia “Pa” e “ra” correspondem a uma batida com cada uma das mãos e “diddle” corresponde a uma dupla.

No adufe, começo o paradiddle com a mão direita no som “Dum” e na mão esquerda no som “Tá”.

Nestes exercícios estou a usar a técnica tradicional, ou seja, toco com a mão completa, não uso dedos individualmente.

Exercício com Paradiddle e Paradiddle diddle.

Exercício começando o Paradiddle em diferentes partes do tempo.

Este exercício aparece no livro “Symetrical Stickings” de Pete Lockett.

Tamburi Mundi – workshop e curso 2020

Day 1

Summary

  1. Traditional frame drum playing from portuguese women 
  2. Traditional rhythm – 3 beat cycle
  3. How to use a traditional song to develop singing, technique and musicality

Step by step:

  1. learn the traditional melody singing along with the ladies, using any syllable, like “la la la”.
  2. Sing with a drone (like a tambura sound) to help you stay in tune.
  3. Play with the traditional 3beat cycle and the two variations with ornamentation
  4. Learn the 9 stroke roll fingering, starting in Dum and (you can use it in round frame drums in standing position).
  5. Play the 9 stroke roll fingering over a 3 beat cycle, like in the table above. Try to beat the pulse with your foot.
  6. Sing the traditional song over the 3 beat cycle on the foot, the 9 stroke roll fingering on the frame drum and don´t forget to breath. 🙂

Day 2

Summary

  1. Traditional 2 beat cycle and variations
  2. “Taimpum” traditional song with konnakol
  3. Adufe trio in 11
  4. 11 beat bridge subdivisions

NOVO MODELO: Adufe de Miriam

PREÇO ESPECIAL: ADUFE+SACO+portes PT

Dizem as Escrituras (Livro do Êxodo), que o Mar Vermelho se abriu e se fechou. O poderoso exército do Faraó sucumbiu. O povo de Israel, que tinha atravessado a pé enxuto, pôde encontrar a glória e a paz.

Miriam e as mulheres hebraicas pegaram nos seus tupin, tocaram, cantaram e dançaram de júbilo.

Haggadah de Oro, Catalunha 1320, British Library

Neste magnífico Haggadah judaico ibérico, datado de 1320, podemos observar que o tof myriam a que o texto se refere (tupin, no plural), é representado como um adufe de forma quadrangular.

Note-se que na tradição judaica, a expressão tof myriam é usada para o instrumento redondo unimembranofone, isto é, só com uma pele.

O adufe representado aparece pintado, provavelmente com henna, tal como ainda hoje podemos observar em Marrocos. Ao repararmos no desenho, podemos observar uma estrela de 8 vértices, cuja base são dois quadrados sobrepostos, podemos observar ainda ornamentos em quatro cantos, que nos remetem para as maravalhas que enfeitam os adufes actuais. A imagem pode ser vista também como uma espiral de quadrados sobrepostos, que dão a ilusão de profundidade e perspectiva. (Muito mais há a dizer sobre este símbolo antigo e mágico. Algo que irei tentar resumir num próximo artigo.)

Características:

Este novo modelo é inspirado na imagem do Haggadah de Oro e na passagem bíblica que ela representa.

Adufeiro no Vaso de Tavira, séc. X-XI.

É um adufe semelhante ao modelo UNIVERSAL, mas mais pequeno. Com 33cm de lado, é mais portátil, mais fácil de transportar e tocar. É um instrumento que é confortável e versátil de manusear, de passar de uma mão para outra e/ou de segurar só com uma mão.

Vaso de Tavira, séc. X-XI. Adufeiro à esquerda.

A espessura de 6cm, em 3 dos cantos, e de 5cm no outro, inovação já presente no modelo UNIVERSAL (espessura variável), garante um som com corpo, ataque, definição e clareza. Não é um adufe pequeno com um som pequeno. É um adufe pequeno, com som grande.

A posição das peles em relação uma à outra, que não é paralela, faz com a produção e sustain do som sejam surpreendentes.

É também um instrumento “2 em 1”. No mesmo adufe, as duas peles soam como se se tratasse de 2 instrumentos diferentes, basta rodar o adufe. De um lado, um frame drum e do outro, um adufe tradicional. Isto é possível pela inovação ao nível da estrutura de madeira.

As peles são escolhidas de acordo com as técnicas a executar, no lado frame drum, uma pele mais fina, para produzir mais agudos e um timbre mais directo e claro; no lado adufe tradicional, uma pele ligeiramente mais grossa, para ter mais graves e médios, produzindo o som típico do adufe português.

São possíveis várias versões, com pele natural ou pintada, com ou sem desenho, com ou sem decorações, etc.

Uso

É um instrumento mais solista, com uma capacidade de projecção de som nas frequências mais agudas que oferece à adufeira ou adufeiro maior resposta a ritmos mais rápidos e passagens rítmicas mais virtuosas. Pela sua clareza e maior tensão da pele é ideal para tocar ritmos do Mediterrâneo e do Médio Oriente.

É também um instrumento, à semelhança do que vemos na representação de Miriam e das mulheres, ideal para acompanhar o canto e outros instrumentos, sobretudo na música antiga. É um instrumento capaz de manter toda a qualidade sonora em dinâmicas mais piano e com um timbre bem distinto e rico, entre graves, médios e agudos.

Iglesia de Santa María de Yermo, séc. XII, Cantabria, Espanha.

Também aconselhado para o repertório ibérico antigo medieval, nas mais diversas instrumentações, tal como o encontramos, por exemplo, representado nos capitéis das capelas e igrejas da Península.

PREÇO ESPECIAL: ADUFE+SACO+portes PT

11 por 8 (2+2+3+2+2) + ponte 4 3 2 1

Este exercício é a continuação do estudo do 11 por 8 búlgaro, com subdivisão 2 + 2 + 3 + 2 + 2. (No vídeo anterior têm mais informações sobre o que são compassos e subdivisões.)

Como tocar:

1 – Repetir o padrão base três vezes. Como podem ver no vídeo o padrão é tocado com a direita (dum e ) e ornamentado com a esquerda (ki).

2 – Tocar a ponte, a que chamo 4 3 2 1. Porque construo uma frase de dois compassos em semínimas. (não se preocupem se não sabem música ou se não entendem, com o vídeo conseguem perceber facilmente).

Primeiro, 4 semínimas, depois 3, 2, 1 e pausa, onde digo “i”.

TÁ KÁ DI MI

Exercício para adufe, de nível básico, criado para praticar as sílabas Tá Ká Di Mi, usadas na linguagem rítmica indiana e que aqui servem para dizer e compreender o ritmo.

No vídeo estou a tocar o som “Dum” no adufe, ou seja, o som grave. Pode ser feito com “Tá”, tocado com a mão direita em cima da madeira.

Como tocar:

Dizer uma sílaba a cada batida no adufe. (repetir 4 vezes e terminar na sílaba DUM)

Dizer uma sílaba a cada 2 batidas no adufe (repetir 4 vezes e terminar na sílaba DUM)

Dizer uma sílaba a cada 3 batidas no adufe (repetir 4 vezes e terminar na sílaba DUM)

Dizer uma sílaba a cada 4 batidas no adufe (repetir 4 vezes e terminar na sílaba DUM)

Tocar tudo seguido (sem repetir 4 vezes cada):

De trás para a frente:

11 por 8 (2+2+3+2+2): introdução

Na música podem existir compassos binários, ternários e quaternários. A subdivisão dos tempos pode ser binária, ternária ou uma combinação das duas.

O que é a subdivisão do tempo? É o número de partes no qual um tempo de se divide.

Assim podemos ter um compasso binário (com dois tempos) com subdivisão binária (cada tempo de subdivide em duas partes) ou ternária (cada tempo de subdivide em três partes).

Quando a subdivisão é binária ou ternária, os tempos têm todos a mesma duração respectivamente, e a pulsação é igual e constante.

Quando a subdivisão é uma combinação de tempos de subdivisão binária e ternária, temos uma sensação de pulsação irregular, já que temos tempos de duas partes e três partes misturados.

Complicado? Um pouco.

“11 por 8” é o nome do compasso. Como se vê indica que tem 11 partes. É um ciclo de 11 partes. O 8 refere-se à colcheia, o que para já não importa. 🙂

A particularidade deste ritmo, o interesse e a dificuldade em tocá-lo é que o tempo irregular está no meio do compasso:

2 + 2 + 3 + 2 + 2

O 2 indica a subdivisão binária e o 3 a ternária.

É fácil perdermo-nos e não sabermos onde está o primeiro tempo. Neste exercício, construí um padrão com dois compassos, para melhor compreensão e interesse musical. No primeiro compasso começamos no Dum e no segundo no Tá.

Como praticar:

1 – Dizer e tocar o primeiro compasso

2- Dizer e tocar o segundo compasso

3 – Tocar o primeiro compasso. Pausa. Tocar o segundo compasso. (Ao fazer uma suspensão entre eles, temos tempo para perceber como é a dinâmica entre eles e a continuidade)

4 – Tocar/dizer o ciclo dos dois compassos completos.

Se tiverem dúvidas ou sugestões, por favor, entrem em contacto.

Pa – Pa – Dum – – Pa – Pa Dum –

Exercício de nível básico/médio com o som “Pa”.

O som “Pa” não é tocado na Tradição portuguesa de adufe, trata-se aqui de uma adaptação de uma técnica de outros frame drums – bendir, por exemplo.

Como podem observar, a mão direita está livre. O polegar não está colocado no adufe como tradicionalmente.

O adufe está na horizontal, apoiado na palma da mão esquerda, e não com um canto para cima.

Como praticar?

1 – A “melodia rítmica” tocada pela mão direita.

2 – O mesmo padrão preenchido com ki, tocado com a mão esquerda.

O mesmo padrão mas com o som Tá: dedos e depois mão

Como praticar?

1 – “melodia” rítmica tocada com os dedos R4 (Tá) e o R3 (Dum)

2 – preenchida com ki, na mão esquerda

3 – “melodia” rítmica tocada com a mão completa

4 – preenchida com ki, na mão esquerda


Aprendi o padrão rítmico que estou a tocar com o músico argelino Salim Beltitane durante o Tamburi Mundi 2019.

Adufe: modelo Universal, 33cm X 6cm, pele de cabra pintada de azul com desenho de motivo ibérico presente no Haggadah d´Oro (Catalunha, séc, XIV). Com sistema de afinação, dois lados sonoros distintos e espessura variável.

Para comprar o adufe que estou a usar, enviar email ou whatsapp!

Prémio Nacional de Artesanato 2019

Sou finalista do Prémio Nacional de Artesanato 2019, na categoria de Inovação.

Finalizada a votação online, os resultados finais e os premiados deverão ser anunciados no próximo mês de Março de 2020, numa cerimónia pública a realizar em local a designar.1

Este prémio bianual é organizado pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional e para além dos meus adufes, são finalistas mais dois artesãos dos Açores, aqui congratulados pelo vice-presidente do Governo Regional dos Açores.

“Quero expressar a minha grande satisfação ao Maxim Pavlov e ao Rui Pedro, na categoria ‘Inovação’, e à Isabel Silva Melo, na categoria ‘Empreendedorismo Novos Talentos’, pelo facto de terem sido selecionados e, assim, participarem na grande final do Prémio Nacional de Artesanato 2019”, afirmou Sérgio Ávila, citado em nota.

Obras apresentadas ao Prémio.

Agradeço a todos os que participaram na votação online, pelo vosso voto e pelas mensagens de apoio. Agradeço, igualmente, a toda as pessoas que têm partilhado esta paixão pelo adufe e este percurso, que é nosso, ao longo dos últimos 10 anos.