Um dos primeiros objectivos no início do desenvolvimento dos meus adufes foi elevá-lo à qualidade profissional dos instrumentos de percussão. Foi pensar num instrumento versátil, potenciando a performance e tornando mais fácil a execução da técnica tradicional assim como de novas linguagens e técnicas.

As medidas que construo são as que penso serem as melhores para essa função, estabelecendo um equilíbrio entre o peso do adufe, a sua relação com o corpo do executante, o conforto e facilidade ao segurar com a mão esquerda, possibilidades sonoras, uma mais clara distinção entre os golpes básicos do adufe (Dum, Tá, Ki), a dinâmica de movimento do adufe ao tocar, etc…

Um adufe demasiado grande e pesado compromete a performance. É verdade que produz um som maior e com mais graves, mas pouco mais se pode fazer com um adufe assim. Além de que exige do executante maior compromisso físico, podendo causar dores de costas, ombros, braços e pulsos. A energia que deveria ser empregue na execução das técnicas propriamente ditas é despendida a segurar e a equilibrar o adufe.

Há inúmeras técnicas modernas em que seguramos o adufe apenas com uma mão ou o passamos de uma mão para a outra. Com um adufe demasiado grande, pesado e espesso não é possível fazê-lo.

Queremos um adufe no qual possamos tocar o tempo que quisermos sem nos magoarmos e sem termos de estar sempre a parar.

Um adufe é um instrumento da família dos frame drums. Toca-se com as mãos e tem um volume limitado de som, quando comparado com outros instrumentos de percussão, como os bombos ou as caixas.

É um instrumento que na sua Tradição é tocado por mulheres. Toca-se a cantar e a dançar, logo tem de haver uma especial atenção às proporções do adufe em relação ao corpo e à voz da executante e este jamais pode ser um impedimento à performance.