Como escolher um adufe? Qual a importância do peso e do tamanho na performance?

Se compararmos os adufes que existem nas reservas do Museu de Etnologia, os adufes que aparecem nos vídeos e nas fotos mais antigas com os adufes construídos actualmente na Beira Baixa, salta-nos à vista imediatamente a diferença de tamanho. Os adufes têm “crescido”! Na minha opinião, este facto está relacionado com cada vez mais homens tocarem adufe e pedirem aos artesãos que os façam maiores e mais largos. Gerou-se uma moda, quanto maior o adufe, melhor.

Um adufe gigante tem um impacto visual tremendo, basta recordarmos o projecto Aduf e os adufões dispostos ao fundo do palco, percutidos com baquetas como os taiko japoneses (curiosamente sem maravalhas uma das características mais visuais dos adufes beirões).

Um adufe gigante tem maior volume de som, mais graves. É imponente, o seu som e vibração “aquece-nos” o corpo e alma. No entanto, em termos de performance e execução pode tornar-se um problema.

Actualmente, a grande maioria de adufeiras que observei tocam em adufes de cerca de 40cm  (entre 38-41cm, depende da espessura da madeira e da montagem), por cerca 5 cm a 6 cm de espessura.

O tamanho e o peso influenciam o equilíbrio, a pega, a dinâmica e o movimento do instrumento ao tocar, a destreza na mudança de posição das mãos e sobretudo a resistência física do executante.

Um adufe demasiado grande é difícil de agarrar, de equilibrar e torna-se insuportável de tocar ao fim de alguns minutos, porque é normalmente demasiado pesado. O som é magnífico, sobretudo nos graves, mas depois não tem clareza, nem definição na articulação de ritmos, tornando-se pouco perceptível a alguns metros. Seria como tocar um exercício de caixa num bombo sinfónico. Ou um capricho de Paganini num contrabaixo. Funciona muito bem num grupo em que haja adufes de vários tamanhos, dando profundidade ao som global do grupo.

Um adufe demasiado pesado, seja grande ou pequeno, é insuportável de pegar e tocar, podendo causar dores nos pulsos, braços, ombros e costas.

Um adufe mais fino e mais leve não terá o volume de som de um adufe mais grosso e maior, nem tantas frequências graves, mas proporciona maior conforto na pega, no equilíbrio e aumenta o tempo de execução exponencialmente. Tem também muito mais clareza e definição aquando da execução dos diferentes ritmos.

Outro ponto muito importante que importa clarificar, é que um adufe não é um bombo, nem é uma caixa. É um frame drum que se toca com as mãos. Como tal, o volume de som é limitado e não pode competir com os instrumentos que acabei de citar. Portanto, quando chega aquele momento em que agarramos no adufe só com a mão esquerda e começamos a dar chapadas com a direita ou quando o percutimos com numa maceta de bombo, já estamos a exagerar!

Nos adufes acima, o maior mede 52cm por 7cm de espessura e pesa 1708 g foi construído pelo artesão José Relvas, de Idanha-a-Nova e foi-me pedido que substituísse as peles. O mais pequeno é o meu mais recente modelo mede 40cm e a espessura varia de 5 a 7 cm no mesmo instrumento. Pesa 812 g.

40 cm é a medida ideal para transportar os adufes como bagagem de mão na cabine dos aviões. Acima disso, só no porão, o que exige flight cases e cuidados redobrados.